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Peito de fogo |
Ordem
Família
EstrildidaeNome científico
Lagonosticta senegalaTamanho
10Envergadura
Peso (gramas)
0.00Longevidade (anos)
Distribuição
África Ocidental.Plumagem dos sexos
Diferente |
Identificação |
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A reprodução é um pouco mais difícil, mas nidifica com relativa facilidade depois de adaptada. Pertence ao género Lagonosticta, que engloba uma grande variedade de espécies denominadas genericamente por amarantes. Das várias que aparecem no mercado existem sobretudo duas muito semelhantes que são na verdade sub-espécies. Lagnosticta senagala (Amarante) e Lagnosticta senegala senegala (Amarante senegala). Em ambos os casos os machos apresentam uma coloração vermelho vivo enquanto as fêmeas são mais discretas em tons de castanho-cinzento o que em ambos os sexos contrasta com uma auréola amarela em torno dos olhos. A primeira destas espécies é maior, e a denominação mais corrente é de amarante. Não apresenta os pequenos pontos brancos no peito o que, juntamente com a coloração preta do bico, a diferencia de Lagonostica senegala senegala, cuja denominação mais comum no mercado é de Peito de fogo. Desde que encontrei uma imagem de um casal de peitos de fogo num livro que fiquei maravilhado com estas pequenas aves, um dia mais tarde ao deparar-me por acaso com um casal numa loja fiquei ainda mais impressionado pela sua vivacidade e não resisti a adquiri-los para a minha colecção, acabando por se tornar numa das minhas espécies preferidas. Ao contrário do que normalmente se diz das aves de porte mais pequeno, quando devidamente aclimatados podem suportar mesmo os meses mais frios. Depois de habituados a uma dieta equilibrada em cativeiro facilmente adquirem uma plumagem magnifica, rara nos exemplares que aparecem no mercado por via das importações, e só então podemos apreciar a sua verdadeira beleza. Não é das aves mais fáceis de criar devido às dificuldades na alimentação das crias que são muito pequenas, mesmo assim são muito prolíferos e facilmente nidificam se tiverem algum espaço, o que aliás, é quase uma regra para a criação de estrildídeos e outras aves do tipo. Têm um plumagem pouco densa o que os torna sensíveis ao frio mesmo assim é errado pensar que não suportam o inverno no exterior pois geralmente recolhem aos ninhos durante a noite. Já tive peitos de fogo a criar num viveiro exterior quando as temperaturas desciam até aos 2ºC!! Sobretudo nos primeiros tempos qualquer alteração brusca de temperatura pode causar problemas, pelo que é verdade que deverão ser aclimatados com prudência, mas a partir daí não trazem grandes problemas. |
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Habitat |
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os peito de fogo podem ser criados num aviário ao ar livre cheio de arbustos, preferencialmente, coberto, mas tambeém num aviário em recinto fechado ou numa gaiola de criação espaçosa. Para o bem estar das aves, o aviário deve estar situado num local abrigado do vento e da chuva. |
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Criação |
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Um ninho de madeira ou de corda que as aves enchem com penas e pedaços de algodão serve-lhes bem, e embora apreciem plantas para pousar não se intressam muito por cobertura vegetal na zona do ninho. O ninho natural é esférico e caso lhes forneçamos uma caixa quase por certo que deixarão apenas um pequeno orifício de entrada, o que dificulta a anilhagem das crias. Ninhos de corda em "tubo" são muito usados e mesmo preferidos em relação aos de madeira, embora devamos incentivar o uso destes. A postura é geralmente de 4 ovos muito pequenos de que resultam quase sempre 4 crias após uma incubação de 12-13 dias dividida pelos dois sexos. Durante a primeira fase as crias são muito pequenas (cerca de 1 cm) e os pais necessitam de alimento adequado.
Novamente, tal como com outras aves de porte semelhante, a alimentação das crias nos primeiros dias é crucial e a procura de alimento vivo adequado uma reacção instintiva por parte dos pais. O desenvolvimento das crias é relativamente rápido sobretudo depois dos primeiros 8 dias de vida quando começam a surgir as penas. A anilhagem poderá ser feita por volta do 8º dia com anilhas de 2,00mm. Eu prefiro esperar mais um pouco para evitar que tenha de perturbar de novo o ninho para confirmar se as anilhas não cairam. O comportamento dos pais denuncia facilmente se ainda alimentam as crias pois procuram insectos e passam muito tempo no chão. Nos viveiros onde os crio conseguem passar de uns para outros por uma pequena abertura nas ombreiras das portas. Tanto os peitos de fogo como outras aves pequenas descobriram esta passagem e passam grande parte do tempo nos viveiros anexos onde estão os tecelões e Agapornis. Com 15-18 dias as crias saiem do ninho e são dos nidícolas mais engraçados que já vi, parecendo pequenas bolas de penas com um bico espetado! Devemos deixar as crias com os pais por mais 2 a 3 semanas até que estejam totalmente independentes. Esta é uma altura em que devemos estar atentos, porque tem-me acontecido que algumas crias morrem nos dias seguintes a sairem do ninho, embora os pais facilmente as recolham ao ninho durante a noite. Depois de fazerem um mês e meio de idade notam-se as primeiras penas vermelhas nos machos e com pouco mais de dois meses já tem uma plumagem de adulto, sendo nesta altura boa norma separar as crias. Dada o relativamente curto periodo de vida desta espécie, de cerca de 3-4 anos, a reprodução inicia-se bastante cedo e com 4 meses podem formar casais. Quando comprei o primeiro casal e, depois da devida quarentena, os soltei no viveiro por altura de Maio de 98 se bem me recordo, fiquei muito feliz por ver que em apenas uma semana se adaptaram tão bem que tinham já um ninho feito com 3 pequenos ovos. O choco foi exemplar e todas as crias nasceram, mas com cerca de 4-6 dias morreram. Os pais recuperaram imediatamente e voltaram a pôr, 4 ovos, 4 crias, novamente mortas. Passada a fase de "desconto" pelas primeiras posturas decidi começar a investigar melhor a sua dieta pois estava certo que o tamanho das crias era um problema. Isto durou quase dois anos em que tentei tudo o que me conseguia lembrar sempre sem sucesso, todas as crias morriam com menos de uma semana de idade. Um dia fiquei surpreendido ao entrar no viveiro e encontrar o macho morto sem razão aparente, possivelmente devido a um qualquer acidente. Por sorte em poucas semanas consegui um novo e rapidamente este tratou de se dedicar a um novo ninho! O problema repetiu-se durante mais algum tempo, as amas não poderiam criar algo tão pequeno que é facilmente esmagado, o crescimento das crias parecia lento comparado com outros estrildideos, com 5 dias eram pouco maiores que à nascença não passando os 2-3cm de tamanho, isso pareceu-me a prova que faltava para apontar para a dieta como o problema a resolver. Depois de mais algum tempo, e em conversa com um criador de estrildídeos inglês, ele sugeriu-me que em vez de tentar usar moscas da fruta criadas em frascos para o fazer directamente no viveiro. Decidi seguir o seu conselho e instalei uma colónia de moscas no viveiro à qual as aves tinham acesso livre. Na primeira ninhada a seguir a este passo as crias chegaram todas a uma semana de idade e depois morreram, na altura notei que os pais deixaram de procurar as moscas a partir de dada altura quando nos primeiros dias o faziam avidamente. As crias morriam de papo bem cheio mas com sinais de desidratação. Lembrei-me então de algo que tinha já tentado mas sem sucesso, usar sementes germinadas. Passei a dar diariamente um prato com uma mistura de sementes germinadas além das moscas e finalmente em Fevereiro de 2000 a primeira cria sobrevivia e chegava a sair do ninho embora duas morressem antes disso. Consegui anilhar essa cria e os pais voltaram a uma nova postura como sempre foi seu hábito mas desta vez cerca de um mês depois, desta nova postura de 3 ovos nenhum nasceu, algumas semanas depois de retirar os ovos inférteis fizeram novamente ninho e encontrei outros 3 ovos dos quais os pais conseguiram criar 3 crias sem problemas. De facto pude anilhar as crias ainda no ninho e foi com agradável surpresa que um dia ao contar as pequenas crias que os pais chamam e juntam facilmente num ramo encontrei não 3, mas 4 crias, devo ter deixado passar algum ovo durante todo aquele tempo. Isto deixou-me ainda mais satisfeito pois parece-me que finalmente estão no bom caminho. Duas dessas crias morreram durante a muda e separação mas as outras estão em perfeitas condições e apresentam-se mais vivas e confiantes que os pais. A primeira que consegui está agora a iniciar a reprodução com um outro macho importado. Das outras um casal esteve em exposição na AVISAN 2000 e no Campeonato Nacional em Peniche, com bons resultados, enquanto os pais conseguiam a primeira ninhada verdadeiramente bem sucedida com 3 ovos e 2 crias nascidas e separadas, novamente um casal. Desde ai que os pais continuam a conseguir criar as crias com bons resultados tendo na época de 2000 produzido 7 crias das quais duas morreram fora do ninho e já esta época produzido 1 cria na primeira ninhada, altura em que decidi fazê-los parar durante o Inverno. Com alguma dificuldade em encontrar novos exemplares consegui fazer mais um casal não relacionado com o primeiro e outro usando uma das filhas pelo que estou curioso para ver os resultados destes. O outro ainda não vai criar por enquanto, e só em princípio de Fevereiro vou colocar os casais novos nos viveiros para recomeçar a criação. Mesmo com o uso de amas apenas se poderá confiar nestas para criarem as pequenas crias a partir da primeira semana de vida, até lá são demasiado pequenas para que suportem o peso dos bengalins. Isto não será válido, obviamente, para o uso de outros estrildídeos como amas, mas isso levante diversos problemas. Embora tenha conhecimento do uso bem sucedido de bengalins do japão como ama para diversos estrildídeos e mesmo para amarantes julgo que, numa situação em que as aves se mostrem capazes de criar os próprios filhos, não será de encorajar o uso de amas. Estão serão sim, um apoio para situações em que alguma coisa corre mal. Nesse caso podemos alimentar as crias durante alguns dias com uma papa de criação dissolvida em água até que os pais adoptivos aceitem as crias. As crias de estrildídeos são um pouco diferente de outras de diamantes e munias e por isso nem todos as amas as aceitam, já criei 2 bicos de lacre e 1 amarante sob bengalins, mas isso não deverá ser usado como norma! Uma outra espécie de amarante que tenho também já fez ninho mas sem sucesso, tal como os caudas-de-vinagre, vejamos assim o que esta nova época de criação reserva. Ao mesmo tempo continuo a criar com outros estrildídeos estando dois de 6 casais de bicos de lacre a criar e um dos casais de guardas-marinhos. Este ano além dos referidos amarantes criei durante o Inverno 4 bicos de lacre e 2 guardas-marinhos, estando em ambos os casos os pais a fazer um novo ninho. Aqui fica a minha experiência com estas aves e que espero, ajude a que outros criadores se dediquem aos estrildídeos que, embora ainda sejam vulgarmente importados em grandes quantidades, são aves maravilhosas de criar e um grande desafio para qualquer um. |
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Alimentação |
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Como alimentação básica, estas populares aves africanas apreciam uma mistura de sementes para aves tropicais de pequeno porte, além de milho painço italiano, sementes de ervas (frescas) e sementes germinadas. De vez em quando, deve dar-se a estas aves morrião-dos-passarinhos. Os peito de fogo , podem viver com uma alimentação de vegetais, com um suplemento ocasional de pequenas porções de pasta de insectos. Durante a primeira semana de vida, são essenciais os pequenos alimentos vivos. Se as aves progenitoras não estão habituadas a este tipo de alimento, são muitas as hipóteses de se recusarem a recolher e dar os alimentos às crias,o que pode ter consequências desastrosas. Se pretende criar peitos de fogo, dê aos foturos progenitores, com uma certa regularidade, pequenos alimentos vivos, para que possam habituar-se. Mosquitos da fruta, moscas verdes e vermes de búfalo são fontes de proteínas animais adequadas. Deve sempre haver arenito em abundância para que as aves possam satisfaszer as suas necessidades digestivas. |
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Sem dúvida que preferem viveiros amplos em relação às gaiolas, se possível plantados. Algo como 2 m de comprimento por 1 m de altura seria bom para um casal, possivelmente junto com outros estrildídeos como os bico de lacre. O macho mostra-se por vezes agressivo quando encontra outras aves vermelhas junto do ninho, mas apenas as afasta dentro de uma dada zona envolvente.
Na primeira semana a alimentação é quase exclusivamente com pequenos insectos que os pais procuram no solo. Os bichos de farinha (vulgarmente chamados de "trelas"), mesmo pequenos podem não ser o mais indicado. O ideal seriam ovos e pupas de formiga ou então moscas da fruta. Passados 5-6 dias os pais deixam de procurar tanto alimento vivo e preferem sementes demolhadas que são mais fáceis de triturar e digerir. Devemos assim fornecer sementes demolhadas a partir dos primeiros dias de incubação e alimento vivo de pequenas dimensões. As papas de ovo, criação ou insectívoros podem ajudar, mas os adultos não consomem geralmente estes produtos, embora os exemplares nascidos em cativeiro se mostrem mais interessados nestas papas. Um suplemento de fruta esmagado com açucar é aceite com agrado. 